domingo, 21 de junho de 2020

Quando a criatividade entra em isolamento

Faz um tempão que não escrevo. Minha criatividade tá com medo da pandemia e deve estar escondida debaixo da cama com o rabinho entre as pernas, de máscara e um frasco de álcool em gel na mão. Fico pensando que a criatividade, pelo menos a minha, não gostou nada dessa mudança toda de rotina, de ficar tanto tempo trancafiada em casa, sem o convívio com os amigos. 

Depois de ouvir mil vezes a palavra isolamento, ela realmente se isolou e tá cumprindo todas as normas de distanciamento social. Não tá sabendo lidar com o tédio, a saudade e a enxurrada de notícias tristes. Deve estar precisando de um ombro amigo e de mais agito. De vez em quando, ela quer arrastar o bom humor pra debaixo da cama também, mas tô me esforçando muito pra isso não acontecer. É só dar um tempo pra ela, coitada. Então, se vc é um daqueles que curte ler meus textos, peço a sua compreensão. 

Torça pra que a minha criatividade, tão necessária pra eu escrever, aceite as circunstâncias, se encha de fé, otimismo, esperança e dê, finalmente, as caras. Esperando o planeta reabrir e o arco íris aparecer. Vou postar já já um texto que já estava no blog mas tinha esquecido de divulgar aqui e no Face. Escrevi antes da pandemia. Se cuidem!




sábado, 21 de março de 2020

Diário de uma enclausurada. Capítulo 2


Primeiramente gostaria de mandar um recado pra minha funcionária, se ela estiver lendo isso. Angela, te amamos! Estamos sentindo MUITO a sua falta! Esperamos vê-la em breve, muito breve mesmo.

Hoje suei em bicas limpando a casa. E lembrei daquela frase dita por alguma mãe-filósofa:  limpar a casa com os filhos dentro é o mesmo que tentar escovar os dentes comendo bolacha recheada. É isso. Acho que meus filhos vão se matar antes de esse período acabar. Hoje eles começaram a fazer guerra com partes do meu sofá e eu descobri um ótimo jeito de fazê-los parar. Vou passar essa dica preciosa pras mães aí. Você já gritou, implorou e eles não param? Pegue o celular, comece a filmar e diga que vai postar nas redes sociais. Aqui super funcionou. Um deles é adolescente e morre de medo de pagar mico. (ele sabe a mãe que tem).


Meu marido se trancafiou por várias horas no mini escritório aqui de casa pra trabalhar e eu tive que conter os gritos dos meus filhos pra não atrapalhar ele. Num momento de bondade, entrei pra deixar um copo d’água pro meu cônjuge e dei de cara com vários rostinhos na tela do celular dele, que estava participando de uma reunião virtual. Ops! Tive sorte de não ter entrado com trajes impróprios. Entrei com roupa de mendiga somente, mas poderia ter sido pior, muito pior.

Tô pensando em começar a fazer umas provas que nem o BBB sabe? Pra ver se começa a ficar mais interessante esse negócio de confinamento. Mas aqui se chamaria PPP: Presos Pela Pandemia.  Prova do anjo, prova do líder...de resistência não porque já estamos vivendo, convenhamos. Mijou pra fora da privada? Sujou a mesa e não limpou? Vai pro paredão. Até a cachorra vai entrar nessa.

Ontem assistimos, pela primeira vez, um culto da minha igreja pelo celular. Fiquei tão feliz de poder contar com esse recurso e do corona não ser transmitido pelas redes sociais. Obrigada Senhor!

Depois brinquei com meu marido de super trunfo Países. Ganhei dele pela segunda vez. A próxima vou deixa-lo ganhar, coitado. Não pude deixar de reparar num dos itens da carta da Itália e da China: expectativa de vida. Será que a Grow vai ter que rever esses valores e atualizar o jogo? Que triste!

Tem gente vendendo o rim no mercado negro pra comprar álcool gel. Você quer esbanjar e mostrar pra todo mundo que tá podendo? Não precisa postar foto nas ilhas gregas, nem foto com o seu Camaro amarelo. É só postar uma abraçando um grande pote de álcool gel. Sucesso garantido. Torcendo pra tudo isso acabar logo.
Cotovelo pra vocês. Com álcool gel.

Diário de uma enclausurada. Capítulo 1


Segundo dia que fico em casa e já começo a ficar meio desanimada. Odeio ficar em casa o dia inteiro. Ontem saí a pé com meu filho pra comprar banana num mercadinho que fica perto de casa. Passamos em frente a uma Crossfit e assustei quando vi que estava lotada. Tinha umas quinze pessoas fazendo exercícios, bem próximas umas das outras. Encontrei uma amiga no meio do caminho, nos cumprimentamos com um beijinho e nos demos conta do que tínhamos feito meio milésimo de segundo depois. Foi no automático.

A escola começou a mandar tarefas pra fazer em casa com meus filhotes. Acharam que não ia ter nada, coitadinhos. A igreja propôs gravarmos aulas e compartilharmos pelo whats. Meu marido pediu pra ir busca-lo no trabalho e fiquei feliz que eu iria sair de casa um pouco. Parei pra abastecer o carro e escolhi encher o tanque com álcool pois assim já desinfeto ele também. Se pudesse, completaria com álcool gel, mas tá em falta no mercado.


Fico imaginando quanta coisa vai mudar, quantos compromissos cancelados. Imaginei os casamentos que estavam agendados pra esse mês, em velórios, etc. Agora a pessoa morre e nem velório pode ter. Risco de contaminação. Fico imaginando o BBB e aquele povo enclausurado lá. Baita povo sortudo. Ganharam na loteria. Agora tem um bando de enclausurados assistindo essas pessoas, também enclausuradas. Interessante, não? Álcool gel agora virou ostentação. Quem tem um monte fica se achando. Beijos pra vocês e até a próxima. Beijos não, desculpe. Cotovelo.  

domingo, 8 de março de 2020

Conceição


Ela morava numa fazenda, em Marília, com mais nove irmãos. Seu pai, o caseiro da fazenda, era muito rígido e batia constantemente nos filhos e na esposa.
Ela lembra que sua mãe ganhava nenê embaixo do pé de café e, no dia seguinte, estava trabalhando, com o recém nascido dentro de uma cesta. Com cinco anos, ela já trabalhava com seus irmãos na roça, limpando os troncos dos pés de café.

Com sete anos, sua família veio morar numa casa de barro em Bauru. Um dia, uma senhora passou na rua da casa dela, recrutando meninas pra morar e trabalhar em sua casa, em troca de comida. Lá foi ela, onde aprendeu, junto com outras meninas, diversas tarefas domésticas. Ela lembra que colocavam um banquinho pra ela alcançar a pia e conseguir lavar louça, com oito anos. Com catorze anos, já havia voltado pra casa dos pais, começou a namorar e levou uma surra do pai. Nesse mesmo ano casou-se, numa tentativa de não apanhar mais do pai. Com dezesseis, teve seu primeiro filho. Tinha muitos problemas com anticoncepcionais, passava muito mal. Assim, acabou tendo doze filhos, mas seis morreram. Batalhou muito pra sustentar os filhos, trabalhando como empregada doméstica. 

Um dos filhos foi preso, usuário de droga, levou seis tiros e ficou paraplégico. A caçula conseguiu fazer faculdade de direito, um orgulho pra toda família. Durante toda a vida conjugal teve vários problemas com o marido, que a traiu várias vezes, inclusive com a melhor amiga dela, na noite de véspera de natal, enquanto ela trabalhava. Aos 35 ela se converteu ao evangelho de Jesus. Trabalhou muitos anos na casa de uma mesma família, que gostava muito dela.

Hoje, ela tem 69 anos, muitos netos e bisnetos. Mora numa casa própria, com a filha e dois netos. Não para nunca. Está sempre bem disposta, animada, fazendo algum curso: panificação, cabeleireiro, artesanato, costura... Faz Pilates, estuda e, às vezes, dá aula de culinária pra moças da favela. Todos os anos ela recruta uma equipe pra organizar uma festa pra mais ou menos 500 crianças de bairros carentes de Bauru. Providencia transporte, alimentação, fazem brincadeiras, pintam os rostinhos das crianças. Tudo isso com o dinheiro que ela pede pras pessoas com quem convive.

Aos sábados ela cuida de dois meninos e passa roupa. Os meninos amam quando ela chega, sempre animada, com um sorrisão no rosto. Ela ouve com atenção o que eles dizem e vibra com suas conquistas. Se sobrar um tempinho, senta junto com eles no sofá e joga vídeo game.

Esses meninos que ela cuida são meus filhos, que hoje não dão mais trabalho. Já cresceram. Ela os viu nascerem e sempre esteve ao meu lado me ajudando. Com a casa e os meninos. Trabalha conosco há 26 anos e tenho o privilégio de conviver com uma guerreira dessa. Ela é um exemplo de amor, de superação, de força, de quem sempre serviu os outros com alegria. Uma mulher que, apesar de tanto problema e sofrimento, não se tornou uma pessoa triste e amarga. Pelo contrário! Por isso estou aqui, nesse dia das mulheres, fazendo essa homenagem. São palavras regadas com muitas lembranças, carinho e gratidão. Têm muitas histórias aí, mas ficaria enorme esse texto.

 Obrigada por tudo Conceição, te amamos! Feliz dia das mulheres! Que Deus abençoe e fortaleça tantas “Conceições” que existem por aí.

quarta-feira, 4 de março de 2020

Culinária complicada




Gosto de comprar livros de receitas. De vez em quando, me dá a louca e resolvo fazer alguma. Alguns acompanharam aqui, ou no Facebook, minha saga pra encontrar fava de baunilha, da minha luta pra abrir um cupuaçu ou minha tentativa de fazer creme Brulee. Mas, com os anos, me tornei preguiçosa, confesso, de me aventurar a fazer aquelas receitas trabalhosas que sujam a cozinha inteira, que demora uma tarde toda e usa batedeira, liquidificador e mais meia dúzia de parafernálias. Se tiver que usar a batedeira, penso 10 vezes se compensa. Ou aquela receita que leva 12 ovos. Precisa de tudo isso mesmo? Coitada das galinhas gente! Também me irrito com aqueles livros que usam só ingredientes difíceis de serem encontrados aqui, ou muito caros. Você acaba não fazendo receita nenhuma. Tá, mas por que estou falando tudo isso? Porque ontem estava nas lojas Americanas e meus olhinhos brilharam ao ver um livro de receitas bonito, de capa dura, custando apenas 27,99. Era de uma chefe inglesa chamada Sophie Michell.  Tinha visto uns livros de receita tempos atrás que custavam os olhos da cara, então achei que esse preço estava maravilhoso. Cheguei em casa toda animada pra abrir o livro. Aí me deparei com essas receitas aqui ó: 
-Gravlax de salmão
-Refogado de carne e bockchoy
-Rendang de carne com sambal de abacaxi
-Contrafilé grelhado com echalota
-Peito de frango assado com tupinambo
-Pakoras de couve-flor
-Salada de haloumi
-Risoto de espelta
-Torta de creme de cássia
-Pavê de Pimm’s
-Gelatina de Ginger Ale
Oi? Vocês já ouviram falar nessas coisas aí? É de comer mesmo?
Sem falar em outros pratos como bife de veado, salada de pato, sanduíche de lagosta e panqueca de caranguejo. Coisas nada fáceis de achar no mercadinho do Seu Joaquim. E, caso tenha a sorte de encontrar, tem que vender o seu rim pra pagar
Não entendeu o que é echalota, espelta, gravlax ou haloumi? Eu muito menos! Socorro, o que é isso? Que língua estamos falando aqui? Sei nem pronunciar essas palavras! Sem contar uns queijos usados nas receitas que nunca vi na minha vida aqui no Brasil. Ex.:queijo manchego e queijo mizithra. Prazer!

Ou seja, perdi R$ 27,99 mesmo. Aquela famosa frase que você já deve ter ouvido: o barato sai caro. Decepção total. É, meus queridos, voltemos, na humildade, pra nossa amiga simpática Rita Lobo. Toda chicosa, bonitona e magrinha. O livro é caro, mas pelo menos você entende as palavras e consegue achar os ingredientes. Preguiça de traduzir essas palavras doidas aí. Talvez os chefs profissas conheçam, mas uma reles mortal como eu, cozinheira preguiçosa que só quer receitinhas fáceis, não dá não. Tô fora!


segunda-feira, 27 de janeiro de 2020

Você in love por uma celebridade


Muitos de nós já imaginamos como seria estar com alguém famoso e bonito. Namorar, casar. Sim, isso mesmo, com o seu ídolo, aquele(a) que você acha lindo(a). O Rodrigo Hilbert, se apaixonando loucamente por mim, por exemplo, se hipoteticamente, eu e ele estivéssemos solteiros. Pode rir à vontade. Quantas vezes, na minha adolescência, me imaginei em momentos românticos com o Tom Cruise ou o Jordan, dos New Kids on the block. Mas vou te explicar como eu me convenci de que isso seria uma furada. Sim, te darei motivos pra acreditar que é melhor estar sozinho a estar com um bonitão.
Tom Cruise

Aí, o Rodrigo Hilbert está casado comigo, tá? Mas, pra facilitar a escrita vou chama-lo de Rô. O texto é meu e eu faço o que eu quiser.
Eu amo sair pra jantar, almoçar fora, passear, ir ao cinema... Tenho pavor de ficar em casa por muito tempo. Imagine, agora, eu chegando em qualquer lugar com o Rô. Abre parêntesis: minha irmã me contou, que, certa vez, em São Paulo, o Thiago Lacerda, aquele Giuseppe da Casa das Sete Mulheres, chegou no restaurante que ela estava. Todos conversando alto, aquele blábláblá e ele aparece na porta.

Fica procurando a mesa com a turma que o aguardava. O som para. Ninguém fala NADA, nem um pio. Todos, inclusive os homens, olhando pra ele. Pessoas de boca aberta. Ele, todo sem graça, finge naturalidade. Você entendeu o que eu tô querendo dizer? Agora imagine aí o Rô e eu chegando num lugar lotado. Um homem desse com alguém como eu, normalzinha. No outro dia, sairia em várias revistas e redes sociais comentários acabando com a minha raça. Iriam me considerar escrota, indigna. Lembro que li, anos atrás, comentários sobre o tamanho da bunda da esposa de certo ator famoso. Também li comentários maldosos sobre a esposa de Pierce Brosnan, por ela estar acima do peso aceitável pela mídia.

 E se eu tirasse uma caca de nariz, ou tiro a calcinha do meio do bumbum e o paparazzi registrasse aquele momento? No outro dia, a foto estaria nas redes sociais: esposa de Rodrigo Hilbert tira caca de nariz no Leblon. Ou seja, nada de passear. A vida seria ficar em casa. Pra mim, seria terrível. Não poderia fazer uma caminhada num fim de tarde de mãos dadas com o Rô. Não poderia ter uma refeição ou conversa em paz, na companhia dele, num restaurante, sem parar de minuto a minuto pra os fãs tirarem suas selfies, agarrarem, beijarem, passarem a mão na bunda. Vocês já devem ter visto como é uma fã enlouquecida por seu ídolo. Perdem completamente a razão e a compostura. Querem arrancar um fio da barba do bonitão pra leiloar depois no fã clube. É aquele vuco vuco. Não sou ciumenta, mas odiaria ver isso várias vezes. Não sei se me acostumaria.


 Sua identidade? Praticamente não existe. Você é a esposa do Rô. Uma mera figurante. Só isso. Amigos? Estão com você pra se aproximar do seu célebre marido, tirar uma casquinha. Eu desconfiaria de qualquer uma que chegasse querendo ser minha mais nova amiguinha. Um churrasquinho na sua casa, vem seu maridinho de sunga pra dar um mergulho na piscina. Todas as suas amigas babando e tentando disfarçar.
Acho que você já deve ter percebido que não conseguiria mais ter privacidade em lugar algum, se estivesse com o seu ídolo. Sem contar que ele pode ter um bafo azedo permanente. Um chulé nojento. Frieiras. Pode ser que ele ronque a noite inteira. Arrota e peida na sua frente. Coma de boca aberta. Não limpe direito o bumbum, deixando aquela trágica freada de bicicleta na parte traseira da cueca. Tá vendo? É só imaginar isso que acaba todo o glamour. Pra mim, pelo menos, dá certo.

 Por isso, valorize sua vida normal. Sem holofotes, sem ser reconhecido em qualquer lugar, sem ser perseguido por paparazzis, sem ter sua privacidade invadida. Você quer ir comprar pão na padaria calçando havaianas, cara de quem acabou de acordar, com uma caneta Bic enfiada no coque de cabelo? Vai tranquila. E valorize seu marido/namorado normal, gordinho, baixinho, peludo, mas que tem muitas qualidades. Estar com alguém normal é ter liberdade, tranquilidade e privacidade (caramba, isso ficou parecendo o lema da revolução francesa: liberdade, igualdade e fraternidade). Isso é tudo. Espero ter ajudado. De nada. 
Um brinde ao mundo normal!Tim tim!


domingo, 1 de dezembro de 2019

Cada louco com a sua mania


Sempre fui cheia de manias. Seria eu uma maníaca? Não estou falando de TOC, o transtorno obsessivo compulsivo. Esse, bem mais grave, sufoca a pessoa e a impede de fazer suas tarefas cotidianas. Aquela neura de ir quatrocentas vezes conferir se fechou a porta, se desligou o forno, lavar a mão cinquenta vezes por dia, pular os riscos da calçada e coisas assim. Assisti um filme espanhol chamado Toc Toc que retrata alguns pacientes com esse transtorno na sala de espera de um médico. Eu ri, mas fiquei com dó ao mesmo tempo. Como as pessoas sofrem com isso!

Mas veja, caro leitor, minhas manias não chegam nesse patamar. Vou falar algumas aqui, com um certo receio de, ao final do texto, você estar me achando a pessoa mais fresca e esquisita do planeta. Tô nem aí! Sei que você também deve ter algumas ou um monte. Noventa e nove por cento das minhas se concentram na hora de dormir: não pode ter nenhuma luz acesa e nenhum mísero barulhinho no quarto. Lembro de dormir na casa de algumas amigas, quando era pré-adolescente, que tinham no quarto aqueles relógios com pilha, que me torturavam com aquele tic tac tic tac. Eu enlouquecia!

Se ouvir um pernilongo dentro do quarto, acendo a luz e só me dou por vencida depois de ter matado aquele fidumaégua que ficava dando rasante no meu tímpano.
 Só durmo de lado, o travesseiro tem que ser alto, abraço outro daqueles compridos, vulgo Ricardão. Ah! Não acabou! O lençol de cima tem que estar preso nos pés. Se noto que ele soltou no meio da madrugada, levanto (sim, pode acreditar) e prendo novamente.  Sempre cubro meu quadril e deixo os pés de fora. Tiro os cabelos da nuca e coloco tudo pra cima. Odeio dormir com meias, só se tiver quase nevando. Outra coisa: meu remedinho de nariz tem que estar no criado mudo ao meu lado.

Outras manias me acompanham ao longo do dia. Quando vou passar manteiga ou requeijão no pão, não deixo nem um centímetro sem lambuzar. Várias vezes meu marido passou pra mim e foi reprovado no controle de qualidade. Feijão? Sempre em cima do arroz. Se tiver uma banana à milanesa no prato, deixo ela bem separadinha pois não gosto de misturar com arroz etc. Tenho, também, pavor/nojo de ouvir o barulho dos outros comendo, mesmo de boca fechada. Fiquei sabendo que isso tem nome: misofonia. Salgadinho crocante, biscoito de polvilho, maçã, chiclete e outros me deixam bem irritada. Se tiver comendo de boca aberta então, quase enfarto.

Recentemente, minha irmã, que várias vezes se queixou das minhas manias, pois dormia no mesmo quarto que eu (ela nem vai ficar na fila do céu. Vai ter fastpass por ter dormido comigo por anos), me disse que o filho dela se parece muito comigo nesse quesito. Com apenas três anos, é cheio das manias pra dormir. Coitada, pensei eu. Vai ter que aguentar mais isso agora.

Já está achando que sou louca? Tem muito mais, veja só: continuo com a mania de falar muito, de sempre andar com chicletes ou balas na bolsa, de ser pontual (isso, hoje em dia, virou um defeito), de mandar muito áudio e ouvir logo após ter enviado pra conferir como ficou horrível minha voz, de ver as horas antes de dormir, fazendo as contas pra ver quanto tempo terei de sono até o despertador tocar, de fungar o nariz, de começar a ler um livro sem ter terminado o outro, de falar muita coisa com ironia e sarcasmo ( algumas pessoas mais inocentes não entendem), de sempre prender o cabelo num rabo de cavalo, de dar risada de tudo (mesmo que em situações impróprias para risada, como em velórios, por exemplo), de falar com cachorros com voz de retardada. 

Tenho mania de usar muitos parênteses quando estou escrevendo um texto (sério, não consigo. Só até aqui, usei meia dúzia), mania de reparar nos tiques e trejeitos dos outros, mania de sempre ligar uma música quando entro no carro, mania de lixo reciclável. Saio resgatando potinhos de iogurte lambuzado dentro do lixo orgânico aqui de casa, irada com quem fez aquilo. Lavo tudo antes de jogar. Meu lixo reciclável é asséptico. Eu ganharia nota 10 se tivesse um concurso de melhor lixo.
Mas vou parando por aqui pois tenho medo de ter mania de escrever demais (não tenho dom para resumir ou sintetizar nada. E lá vai o sétimo parêntesis).