quarta-feira, 19 de abril de 2017

Medo de avião


Todo mundo tem medo de alguma coisa. Mas o meu martírio é viajar de avião. Para muitos, o medo vai diminuindo a cada viagem mas, pra mim, foi o contrário. Cada viagem que faço com minha família, tenho que enfrentar, geralmente, quatro voos. Dois na ida e dois na volta. Digo ENFRENTAR, pois é a palavra certa pra quem foi feita pra ficar no chão: eu. Tento disfarçar bem e não fazer cara de pânico. 

Confesso que tenho vontade de dar uma gargalhada quando a(o) comissária(o) de bordo dá as instruções caso haja uma despressurização, com aquele sorrisinho tranquilo no rosto. E quando ela diz então: “Em casos de pouso na água use o assento para flutuar”. Tenho vontade de dizer: “Viu moça? Nesse caso, você poderia me ajudar? Porque meu assento já estaria todo lambuzado de fezes e eu, provavelmente, já teria desmaiado. Ficaria complicado...” Agora, pra mim, o mais engraçado é quando eles dizem, após terminarem as instruções: “Aproveitem a viagem”. Como se eu fosse me divertir ali, aproveitando aquela bela paisagem da janelinha, que eu tento nem olhar. Não aeromoça, quem tem medo de avião não aproveita nem um minutinho sequer e fica contando o tempo que falta pra chegar em terra firme.


Odeio aquele frio na barriga, a pressão nos meus ouvidos, aquela sensação de montanha russa. Se eu sinto falta de ar? Não, sinto falta da terra mesmo, de estar paradinha ali, no chão.

No ano passado cheguei a chorar (baixinho, enfiei a cara no ombro do meu marido.) quando, depois de quatro horas que já estava tensa dentro daquela lata, o avião deu aquela despencada.O céu estava bem limpinho. Pelo que eu entendi, o avião vem sendo sustentado por uma massa de ar constante e isso acontece quando uma corrente de ar quente vem de baixo pra cima. Mas não me interessa a física, a meteorologia e o escambal. O que interessa é que achei que ia morrer. Não foi fácil . E ainda tive que ouvir do meu marido que aquilo não foi nada assim tão grave.(Sério? Quando que é grave então?)

Aí percebi que precisaria de calmante para os próximos voos, não tinha jeito. Faço o possível pra esquecer que estou ali. Devoro a revista inteira do avião, leio livro, ouço músicas e se tiver aquelas televisões então, melhor ainda. Mas meus esforços para relaxar acabam na hora que aquela geringonça gigante começa a tremer. E outra: fico atenta a qualquer barulho estranho. Até eu entender que o trem de pouso está sendo liberado ou recolhido, já pensei em várias possibilidades catastróficas

 Evito, lógico, assistir qualquer seriado ou filme com desastres aéreos. Mas na quinta série, a professora de ciências fez a classe toda assistir um filme antigo chamado "Vivos", que por sinal, quase ninguém sai vivo, após um acidente de avião. Valeu professora! Só atrapalhou minha vida.

 O bom dessas minhas viagens, é que minha fé é elevada a outra dimensão. Converso com Ele, o grande Deus que criou os aviões. Vejo quão pequenos e dependentes somos Dele naquela imensidão dos céus. Oro pela fuselagem, por cada pessoa que trabalhou na fabricação do avião, pelo piloto, copiloto, torre de controle. Peço que não haja nenhum fator agravante ao meu medo como turbulências, tempestades, raios e aí vai. 



Você está querendo me dar alguma dica para me acalmar na próxima vez? Agradeço, mas é difícil. Medo é algo irracional. Já fui pesquisar sobre turbulências, dicas de como se acalmar e relaxar durante o voo e não sei se adianta. Sei de todas as estatísticas e que esse é o meio de transporte mais seguro que existe e blá blá blá. Mesmo assim penso dez vezes quando vou fazer qualquer viagem. Sei que não tem outro jeito, na maioria dos destinos com longa distância. É o preço que tenho a pagar se quiser conhecer lugares diferentes e outras culturas.

Descobri que existe um comandante da Varig aposentado, que cobra $300,00 a hora para ser acompanhante de voo. Sim, só pra sentar do lado e ir conversando com você durante a viagem.  Ele tenta ajudar a pessoa amedrontada (e rica, com certeza) com informações, meditação, conversas etc. Ele até criou um termo para essa nova profissão: personal flyer. Isso porque ele verificou numa pesquisa feita por ele mesmo que a maioria dos passageiros fica apavorada ao voar (Viu? Eu sou normal. Faço parte da maioria). Se você não está nem aí pro avião, parabéns! Você faz parte dos míseros 2% dos passageiros. Tenho até raiva de você, desculpa. O avião chacoalhando igual máquina de lavar roupa velha e você olha pro lado e a pessoa tá dormindo tranquilamente?!  Como pode uma coisa dessa?


Obrigada Santos Dumont, pela sua invenção, você foi genial. Mas, definitivamente, não fui feita pra isso. Tento pensar :coragem, respire fundo e não passe mal. Engula o medo e faça cara de normal.( E um Rivotril sublingual também não faz mal). Gostaria muito de conhecer vários países da Europa e já pesquisei algumas alternativas que não seja de avião. Sei que a primeira parte não tem jeito. Tudo bem. Mas chegando lá, fiquei sabendo que tem uns trens maravilhosos pra visitar os países vizinhos. Amei e pretendo ir. De barco, navio, trem, cruzeiro, cavalo, camelo, jumento, qualquer coisa. Avião não.

sexta-feira, 14 de abril de 2017

Configurando a cabeça




Se o sistema está pesado e cheio demais, tem hora que a gente precisa formatar tudo e dar uma arrumada na vida. E renovar o antivírus, já que o stress acaba com a nossa imunidade. Às vezes precisamos, também, nos desconectar de algumas encrencas e problemas.
Não esqueça que, se tudo parecer lento e bugado, é só reiniciar o PC. Não precisa fazer download de tudo nessa vida. Clica só no que é importante e organize em pastas. E então, dê um Control C Control V naquilo que vale a pena, nos bons exemplos e nas pessoas que te inspiraram. Melhor ainda se você conseguir deletar traumas, lembranças ruins, algumas pessoas que só te fazem mal.  E feche algumas janelas que só atrapalham.

Seria interessante se você conseguisse maximizar as virtudes das pessoas que o rodeiam e minimizar os defeitos. Ah, e digo uma coisa: é possível ser muito feliz sem depender de likes e curtidas. Compartilhar bons momentos é muito bom, mas também devemos compartilhar nossas tristezas com quem amamos. Não fique colocando tudo de baixo do tapete. Quem nunca precisa de manutenção?

E por último, não deixe de fazer um backup no fim do dia com Deus. O melhor e mais seguro navegador pra você estar sempre conectado. Não apresenta falhas e, em se tratando de “Salvar”, não há outro modelo de tamanha qualidade no mercado. Vem com antivírus grátis. nunca dá pane e ainda te ajuda a lutar contra os hackers deste mundo. A instalação é rápida e pasmem: grátis. A única coisa é que você precisa dar uma boa limpada no Sistema antes de instalar. Além de tudo isso, instalando um, você ganha três possibilidades de navegar. Incrível, não é?

sábado, 25 de março de 2017

“Mãe, como surgem os bebês?” O dia chegou




 Sim, chegou aquele dia. Prova de ciências do meu filho. Quinto ano. Matéria: aparelho reprodutor masculino e feminino e como um ser humano é “fabricado”. Oh my God!!! Help me! Sabia que esse dia iria chegar, mas foi rápido demais, não estava preparada. Estudo junto com ele antes de todas as provas mas essa, só essa, eu queria pular.


Fato 1: fui inundada pela tentação de contar a história da sementinha que o papai pôs na mamãe. Ou da cegonha. Resolveria tudo e acabou. Mas estava tudo ali, no livro. Já era!


Fato 2: acho que eu estava mais nervosa que ele. Mas fingi estar tudo sobre controle mesmo o meu coração estar quase pulando pela boca.


Fato 3: tive que falar e explicar palavras como vulva, sêmen, esperma, vagina, bolsa escrotal e pudendo feminino (Socorro! O que é isso gente? Pelamor!!!Nunca tinha ouvido falar nisso em toda a minha vida. Não tinha um jeito dessas palavras serem menos horrorosas? Tipo bilau e fifita?)  Nisso, a segunda frase do Fato 2 quase foi por água abaixo. Quis literalmente sumir nessa hora e quase chamei meu marido pra explicar a parte que compete ao homem na reprodução humana. Mas tá. Respira fundo, vamos lá. 


Fato 4: orei dez vezes antes de ir estudar e pedi à Deus pra que a imaginação do meu filho não se empolgasse muito naquele momento. (“Olha filho, vamos focar somente no que está escrito no livro, ok?”). Sem perguntas cabulosas como: “Mas você e o papai fazem isso aqui?”


Fato 5: ele ficou um pouco horrorizado ao saber por onde passa a cabeça de um bebê no parto normal, considerando o diâmetro da cabeça dele (Família do pai é nordestina. Já viu o tamanho da cabeça né? ). Mas o tranquilizei ao dizer que eu escolhi cesariana.


Fato 6: Eu consegui! Passei de fase!!! Parabéns pra mim! Acho que até me saí bem. Ele fez algumas caras de nojinho, mas também morreu de rir em outros momentos. Disse até que me amava depois. Isso é um bom sinal.


O problema é: Daqui a 4 anos tenho que explicar tudo de novo pro meu caçula. Pois eu contribuí para a continuidade da espécie duas vezes, segundo os livros. Espero, de coração, que até lá já tenham trocado a palavra pudendo feminino. Aliás, podiam trocar todas e só manter ovário, útero e óvulo. Com quem eu posso falar pra dar essa sugestão?


Queria agradecer a equipe que escreve os livros escolares UNO por não ter revelado ainda que a relação sexual tem também outros fins recreativos e de entretenimento que não seja somente a reprodução.Ufa, menos mal. Deixa que isso ele descobre depois. 


Agora veja só: estou horrorizada que meu filho já está aprendendo isso. Imagina quando eu descobrir que ele está FAZENDO isso. Não! Chega. Pra mim já é demais. Não pensa, não pensa, não pensa...Um capítulo por vez, por favor. 





sexta-feira, 17 de março de 2017

Aprendendo com as crianças

Não que eu esteja reclamando (quando a pessoa diz isso é porque ela vai reclamar. Fica vendo.) da vida adulta atual, eu sei. Não estou passando fome, não preciso acordar às 4:30 da madrugada pra ir trabalhar, não tenho um patrão que me humilha todos os dias e Deus tem dado a minha família tudo o que precisamos. Conseguimos pagar as contas do mês e temos muito conforto e qualidade de vida. Mas mesmo com tudo isso, ser adulto tem as suas chatices, convenhamos ( Não disse que vinha reclamação?).



  Sempre me pego pensando sobre como é bom ser criança. Como era bom não ter que provar nada pra ninguém, sair andando por aí com a boca e a camiseta toda lambuzada de sorvete sem ter vergonha dos outros. 


Eu achava, quando era criança que os adultos eram extremamente confiáveis e responsáveis. Praticamente indestrutíveis. Que eles sabiam de tudo e ao lado deles você estava seguro. Aí quando você cresce e conhece as falhas e as loucuras que se passa na cabeça de um adulto, meu amigo...dá até medo.

Aí descobri que tem adulto pra dedéu  por aí que precisa aprender muito com as crianças. Talvez se elas oferecessem um workshop, curso ou um simpósio pra adultos seria muito  interessante. Até deveria  patentear essa ideia. Nesse curso, elas ensinariam, talvez, como se contentar e ser feliz com apenas uma boneca ou carrinho e a sua imaginação. Elas ensinariam como é bom não ter vergonha de falar e fazer o que quer. Como, por exemplo, roubar um brigadeiro antes do parabéns,  passar a mão no marshmallow do bolo e assoprar a vela antes do aniversariante (baita mancada), sair correndo e dar um pulo tipo “bomba” na piscina de bolinha, abrir o presente que a vó deu e gritar de chorar ao constatar que era um par de meias. Aliás, essas são as duas melhores características das crianças: a sinceridade e a espontaneidade. Que, dependendo da situação fazem os pais morrerem de vergonha. Eu mesma tenho uma coleção de foras que eu dei quando era criança. Graves, por sinal. Mas o bom é isso: eu não tinha a obrigação de saber como se comportar cem por cento, minha personalidade e caráter estavam em construção ,então os foras eram deletados ou minimizados.

 Os pimpolhos ensinariam que guardar rancor e querer se vingar não vale a pena e que é possível brigar e perdoar no mesmo minuto. Afinal, é muito melhor ter alguém pra brincar ao seu lado que ir perdendo os amigos a cada discussão que você “ganha”. Em outro tópico da pauta desse curso, elas ensinariam os adultos a simplificar as coisas da vida e do amor e não se preocupar tanto assim em agradar aos outros. Elas ensinariam como é bom ser você mesma(o) e tentariam te convencer a manter a  inocência e a ingenuidade em relação a muitas coisas cabulosas desse mundo. A não ter um coração petrificado e ser mais sensível. Elas talvez dissessem, também, para os adultos não assistirem tantos noticiários e recomendariam que eles se divertissem um pouco mais.

Elas saberiam te dizer que não é preciso você encher a cara e nem se drogar com o que seja pra ser aceito pelos amigos e ser feliz. Elas também ensinariam os adultos a serem menos preconceituosos com as diferenças e que incluir um pouco de doçura no seu dia a dia é muito importante. Elas iriam dizer que, às vezes, os adultos precisam ser um pouco crianças e que aprender a sorrir mais é um ótimo começo. Elas diriam que a vida continua mesmo que você não consiga resolver os problemas de todo mundo.
Tudo bem, eu sei que ser adulto é maravilhoso em certos aspectos. Muitas e muitas crianças querem crescer rápido pra poder dirigir, trabalhar e outras coisas. Ter liberdade de comprar o que você quer com o seu dinheiro sem ter que ficar pedindo pra alguém, não ter que aguentar mais a matemática e a física, não ter que dar satisfações para os outros o tempo todo, poder chegar em casa a hora que quiser, andar descalço e de cabelo molhado sem ter alguém falando que você vai ficar com gripe. Mas também têm as eternas responsabilidades, problemas, boletos a pagar, notícias horríveis que você não ouvia quando era criança, violência , providenciar o que comer todos os dias de sua vida , sem mamãe colocando a comida quentinha na sua mesa, trânsito, e não ter quem cuide de você  quando fica doente.

 Quando você se torna adulta, tem que ser a mãe que trabalha, mas também continuar linda, dar atenção para os filhos e cuidar da casa. Se tirar um cochilo de tarde é uma folgada. Você tem que arrumar a cadeira que quebrou, ir ao mercado, lapidar o caráter dos filhos, ver o que fazer com o vazamento da piscina, fazer exercícios pra emagrecer, cuidar da pele, do cabelo e das unhas pra não ficar xexelenta. Você tem que ir à reunião da escola, do condomínio, tem que ser mãetorista, tem que cuidar da sua vida espiritual também. E com tudo isso o adulto tem que encarar o mundo,  e se vê cercado pelas suas obrigações do cotidiano e as idiotices do ser humano com suas más decisões e consequências.

Estão entendendo o que estou falando? Ser criança é tudo de bom! Sei que criança também não é santa. Não é um ser angelical. Crianças também mentem, te desafiam o tempo todo, bagunçam tudo, fazem bullying com os colegas e outras maldades.  

Você tem filho(a), sobrinho(a), priminho(a), netinho(a) por perto? Faça um favor: explique pra elas como é bom ser criança e quais são as vantagens dessa fase. Conte como é ser adulto. Mas não conte tudo pra não traumatizar. Fale pra elas que cada fase deve ser aproveitada ao máximo, pois não tem como voltar atrás quando bater uma saudade.  


E um viva para você, que é adulto e que consegue ser um pouco crianças nas horas certas. Que conseguiu aprender as coisas boas que uma criança nos ensina. Pois adultos infantis e birrentos temos de monte.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

Bolsa de mãe:



Antes de ter filhos, uma bolsa de mulher costuma abrigar os seguintes itens: chaves, óculos de sol, carteira, celular, carregador, caneta, fone de ouvido, absorvente, remédio pra dor de cabeça, trocentas segundas vias de cartão de crédito, batom, espelhinho, talvez um pó compacto, escova e elástico de cabelo, talvez uma barrinha de cereais, Trident, Tic Tac, halls etc.

Agora vamos pra outro nível. Já pararam pra observar tudo o que existe dentro de uma bolsa de mãe de filhos pequenos? É algo assustador, digno de ser estudado pela ciência. Tem um arsenal preparado pra socorrer 99,99% de qualquer problema envolvendo nossos pimpolhos! Chegou na festinha e o cabelo do seu filho está vergonhoso? Pega a escova de cabelo. Resolvido. A boca dele está lambuzada de alguma coisa? Pega o lenço umedecido (faz milagres, um dos itens mais importantes). Nariz escorrendo? Lenço de papel. Ele tropeçou na calçada e ralou o joelho? Coloca esse band-aid aí.

 Numa bolsa de mãe encontramos também bolacha recheada, (faz milagres) pirulito, bala, pulseirinha de neon que você ganhou numa festa de casamento, chiclete, palito de sorvete lambuzado que seu filho enfiou ali sem sua permissão, brinquedinhos que vem no Mc lanche feliz, e, às vezes, uma maçã ou uma banana. Mais bagunçado que isso, só o banco traseiro de um carro de mãe.

De vez em quando pego minha bolsa, coloco no ombro e parece que tem chumbo dentro. Aí vejo que é hora da limpeza. E, então, começo a rir de tantos trecos e cacarecos que havia ali. Você tem filhos pequenos e sua bolsa não é assim? Meus sinceros parabéns! Uma salva de palmas de todas as nossas bolsas malucas pra sua bolsa exemplar e organizada. Sério mesmo! Como você consegue?

Agora olha só isso: esses dias, eu estava num velório, sentada entre duas amigas. A da esquerda é mãe de dois filhos pequenos. A da direita não é mãe. Então abri minha bolsa pra procurar lenço de papel. Dei uma risadinha e mostrei pras duas: “Olha o que tem dentro da minha bolsa? Uma meia enroladinha, que eu uso na aula de Pilates. E olha aqui também, tem um par de meias usadas do meu caçula.” Aí a amiga mãe diz: Mas na minha bolsa tem uma calcinha molhada da minha filha desde a semana passada! Não tirei até agora!

Credo! Para tudo! Aí também já é demais né?!Fiquei um pouco horrorizada e disse pra ela: Você ganhou! A sua está bem pior que a minha. Perguntei se a calcinha estava molhada de água ou xixi. Nisso, a amiga solteira abre a bolsa dela e diz: Olha a diferença de uma bolsa de casada pra uma de solteira, mostrando uma garrafa miniatura de cachaça. Começamos a rir no meio do velório, tentando fingir que estávamos chorando. Então resolvi fuçar nas profundezas da minha bolsa, tentando achar uma coisa mais bizarra.  E foi então que achei um saquinho com algo dentro e pasmem: era uma cueca molhada do meu filho! Como? Ele tinha nadado na casa da vó de cueca, pois não tinha sunga. Viram? Nunca julguem o conteúdo da bolsa alheia. A sua pode estar pior.


Tá sentindo um peso extra nos seus ombros? Talvez seja o momento de fazer uma limpeza e jogar fora tudo aquilo que você não está precisando mais. Todo chumbo inútil. Da bolsa e da vida também. 

sábado, 14 de janeiro de 2017

Vou de táxi


Vou de táxi

Seu Antônio era quase assim
Minha mãe me contou que, uns dois anos atrás, chegando de madrugada em Santos  pra visitar meu irmão, se deparou com um taxista praticamente surdo. Dei risada da história, pois fiquei imaginando aquela cena. Ela, gritando com o senhorzinho, tentando falar o endereço de seu destino. Ela quase pegou um caderninho na bolsa e escreveu o nome da rua pra mostrar pra ele. O senhorzinho, quando conseguia ouvir alguma coisa que minha mãe falava, entendia tudo errado.  Ela falava Olavo, ele entendia Paulo. Ela chegou a pensar que era pegadinha. Eu também acharia. Ficaria procurando onde a câmera estaria escondida dentro do carro.

Já peguei taxistas descolados, tatuados, tagarelas ( que ficou uma hora contando que foi levar não sei quem numa fazenda do Tarcísio Meira e blá blá blá), mudos, aqueles que gostam de contar vantagem e outros mais.

Taxista Osama style
 Uma vez, entrei em um táxi com minha irmã, numa viagem que fizemos há um tempão.  Quando fechamos as portas vimos que o taxista era um  sósia do Osama Bin Laden. (Que estava sendo procurado naquela época). Tinha até um turbante na cabeça, barba comprida e grisalha. Confesso que pensei em saltar do táxi, em movimento. Fui orando, pedindo perdão por todos os meus pecados.

Também fiquei impressionada com os táxis de Buenos Aires. Alguém tinha me avisado que eles corriam muito. E pude comprovar: eles correm quase na mesma  velocidade da luz, porém com um agravante: os carros são extremamente velhos. Todos. É difícil ver um carro novo lá. Sabe aqueles carros que foram lambuzados com uns cinco quilos de Durepóxi? Tipo assim. Dava impressão, sério mesmo, que o carro iria se desintegrar a qualquer momento da corrida e eu sairia rolando pela avenida.

No Chile, eu e meu marido caímos num golpe do taxista, na hora de pagar. E descobrimos que muitos também já caíram nessa. Vou tentar explicar rapidamente: a corrida ficou trinta mil pesos, por exemplo. Você entrega três notas de dez mil pesos para o taxista. Aí, num piscar de olhos, ele te mostra três notas de mil pesos, dizendo que você deu as notas erradas. Aí você diz que não, que entregou corretamente e ele diz que não e começa a falar espanhol muito rápido, fazendo com que você fique perdido. Isso acontece em qualquer lugar do mundo, principalmente com turistas.

 Em São Paulo, pela primeira vez, peguei uma taxista mulher e achei interessante. Batemos o maior papo. Ela me perguntou de que cidade eu era (acho que viu que sou caipira pira pora) e disse que a filha morava em Bauru, pois fez faculdade aqui. Agora abre parêntesis e vejam uma pequena parte da conversa. Taxista diz: -Inclusive eu fui pra Bauru na formatura dela. Ela morava numa rua que tinha um nome muito engraçado. Eu morria de rir quando ela me falava o nome da rua. Mas não lembro agora, pra te dizer, era meio pornográfico. Não sei como ela tinha coragem de pedir uma pizza e falar o nome daquela rua para o atendente. Adivinhei na mesma hora. Seria Manoel Pereira Rola?-perguntei. E ela: kkkkk, isso mesmo, exatamente! Fecha parêntesis.

Mas por que eu estou falando tudo isso? Ontem eu e minha mãe pegamos outro táxi. Precisávamos ir para o shopping Tamboré em Alphaville. Lá encontraríamos meu marido e voltaríamos pra Bauru. Entramos no táxi, cumprimentamos o senhorzinho taxista. Ele falava bem alto, era velhinho. Percebemos que ele estava de colete de lã em pleno calor senegalês de 44 graus. E adivinhem? Mais um taxista surdo. Acho que ele devia ter uns 20% da audição e olhe lá. Aí que reparamos que ele usava aquele aparelhinho no ouvido. Falávamos com ele e nada. Nenhuma reação, nenhuma resposta. Tínhamos que cutuca-lo no ombro, então ele olhava pelo espelhinho e tentava ler nossos lábios. Era meio pancada também. Minha mãe olhava pra mim com aquela cara de: “Meu?! De novo? Não acredito!”. Falamos dez vezes que iríamos no Shopping Tamboré mas ele achava que era no bairro com este nome. Avistamos o shopping e começamos a cutucá-lo no ombro.  Apontávamos para o lugar pra que ele pudesse ver. E então, me peguei  procurando a câmera escondida. Achava que, a qualquer momento, ele iria tirar o bigode falso e eu iria dar uma gargalhada ao ver que era o Luciano Huck. Mas não. Era o Seu Antônio mesmo. Mas, aos trancos e barrancos, chegamos ao nosso destino.  Ufa!
 Que Deus cuide dos taxistas velhinhos e surdos que precisam trabalhar nessa idade pra se sustentar. Com a situação da previdência no Brasil, a tendência é piorar e muito. Será que o seu Antônio ouviu quando Temer anunciou as novas regras de aposentadoria? É Seu Antônio... têm coisas que é bom o senhor nem ouvir mesmo. Que Deus cuide dos nossos velhinhos. Que Deus não nos deixe ficar velhinhos tão rápido. Que Deus também cuide das mulheres que não sabem como lidar com um taxista surdo.
Meta para 2017: aprender linguagem de sinais.




sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

Noivas enlouquecidas


Casei nova. Tá, muito nova. Faltava exatamente seis dias para o meu vigésimo aniversário. Mas já namorava há seis anos. E não, não estava grávida.

Quando eu aceitei e resolvi tomar uma das decisões mais importantes da minha vida, não sabia ainda o que estava por vir. Era muita coisa pra decidir. A mais difícil era o número de convidados que podíamos pagar. Então precisava decidir se eu chamaria somente cinquenta pessoas e serviria filet mignon no jantar ou chamaria um monte de gente, mas servindo lombo. Escolhi o lombo e muitos convidados. Afinal, sempre tem aqueles que saem da festa falando mal de cada detalhe mesmo, tendo filet ou lombo.

 Depois tive que tomar outra sábia decisão: desistir casar de azul, (Sim, acredite! Eu queria muito casar com um vestido azul petróleo!) Caso contrário, minha avó iria desmaiar lá na frente de todo mundo. Lembro que eu disse: “eu não caso de azul, mas o tapete da igreja, as toalhas das mesas, as flores, a lembrancinha e todos os detalhes restantes serão azuis e ninguém enche mais o meu saco.” Até hoje me lembro de como eu e minha mãe pagamos o vestido. Eu e ela dividimos R$100,00 por mês, por dez meses. Hoje vejo o preço que as noivas pagam nos vestidos e fico inconformada. Dá pra comprar um carro, dependendo do vestido.

O buffet que contratamos era de um senhor muito, muito simples, magrinho e caipira, que nos atendia na casa dele com a camisa aberta e o peito peludo aparecendo. Sim, eu e minha mãe morremos de medo até o dia do casamento e imaginamos todos os convidados sendo internados no dia seguinte com intoxicação alimentar, mas tínhamos vários depoimentos de pessoas que elogiaram muito as festas e a comida que ele fazia. Acreditem se quiser, mas ele cobrou R$16,00 por pessoa. Lembrem-se que isso foi há quinze anos.

Cerimonialista nem existia naquela época, a gente nem ouvia falar dessa profissão. Geralmente, era algum parente da noiva. No meu caso, foi minha irmã. A banda que tocou na festa tinha três integrantes e cobraram R$ 300,00, que pagamos na hora, com uma parte do dinheiro da gravata.

 As músicas do casamento foram cantadas por amigos nossos. As madrinhas puderam usar os vestidos da cor que elas queriam. Os convites foi minha irmã que fez também, e ficaram lindos. A cor do convite? Releiam o terceiro parágrafo.

 No fim, deu tudo certo (exceto ter esquecido o buquê no salão e só ter percebido isso quando os padrinhos já estavam entrando). Ah! Ninguém passou mal, a comida estava ótima, eu acho (ninguém fala mal da comida pra noiva). Dançaram muito ao som da bandinha.

 É indescritível a sensação daquela porta abrindo e você visualizando todas as pessoas que você ama ali (é, quase todas hehe, tinha gente que eu nem conhecia!) reunidas só por causa de você e do seu noivo. Isso, você só vai conseguir de novo no seu velório. A não ser que se case outra vez. Ou várias vezes, como a Gretchen. Como o Fábio Júnior. Como tantos outros por aí.

E depois de quinze anos, os casamentos (festas) estão bem mais profissionais e modernos. Vejo as noivas se descabelando por: chá bar ou chá de cozinha, chá de lingerie, o vestido mais perfeito, lista de presentes, a escolha dos padrinhos (se forem ricos, é só coincidência),  se convida ou não o “ex”, local da cerimônia e da festa, o melhor sapato (um pra cerimônia e outro pra festa), presentes para entregar  aos padrinhos , dia da noiva no salão com direito a roupão de seda e champagne pra todas as melhores amigas, transporte da noiva até a igreja, o cardápio mais requintado com vinte tipos de docinhos, a cerimonialista, a mais exuberante lua de mel, o coral que vai cantar na cerimônia,  a cor que as madrinhas devem vestir, onde os padrinhos tem que alugar o bendito terno, o DJ da festa, a iluminação cinematográfica, os guardanapos que ficam nos bancos para os chorões, o pacotinho de arroz pra jogar na saída, o melhor fotógrafo com direito a drone filmando tudo lá do espaço sideral, ensaio de fotos antes do casamento, telão no salão mostrando as fotos que estão sendo tiradas pelos convidados em tempo real (#fulanoefulana), bar man com as batidas mais descoladas, badulaques de neon e plumas pra serem entregues quando o povo já está bem alegrinho, escola de samba, cabine de fotos, buquê extra pra ser jogado, chinelinho pra toda mulherada com a caricatura dos noivos impressa, fogos de artifício...Ufa!. Virou algo meio surreal! A noiva quase chega morta de exaustão no casamento. Ou finge que não está estressada. Se não sair tudo do jeitinho que ela quer então?

Acho legal tudo isso numa festa, não sou contra e é lógico que me divirto também quando sou convidada ( e quero experimentar um doce de cada tipo). Se você pode e quer fazer tudo isso, vá em frente, seja feliz. Mas só me preocupo com isso: com tanta coisa pra fazer e se programar (e haja dinheiro!), será que dá tempo pra focar no principal? Você teve tempo suficiente pra conhecer a pessoa que vai ficar ao seu lado pro resto da sua vida? Ele, o noivo, participou de alguma decisão, ou foi um mero coadjuvante?

Hoje em dia, tem noiva que começa os preparativos dois anos antes da cerimônia ou mais. E, às vezes, ficam dois anos depois pagando as contas da festa. Fazem financiamento, se matam pra pagar, não importa se já vão iniciar a vidinha de casado enforcados de dívidas. Ou são os pais, que se esfolam pra pagar tudo. E quando o casamento acaba e faltam muitas parcelas ainda pra serem pagas? Às vezes, acaba tão rápido que dá vontade de pedir o presente de volta.

 Sim, cada um faz o que quiser, mas só acho uma incoerência total. Falta de bom senso. Tem alguma coisa errada aí, você não acha? E no meio de tanta coisa, o real motivo do casamento fica por último. Depois a gente pensa nisso, não é mesmo? O que importa é ter feito uma festa/evento do ano? De tantas escolhas, talvez a noiva não teve tempo de reparar na principal escolha, que a está esperando no altar.

Noivas, atenção: Não ligue pra essa pressão que existe pra que o seu casamento seja o melhor de todos. Organize seu coração antes de organizar a festa. E não esqueça que depois você vai ter que organizar uma casa, um lar, uma família nova. E vai ver que nenhum cerimonialista vai te ajudar nessa hora. Foca no amor e pronto!! Por um mundo com noivas mais coerentes e menos estressadas com mil detalhes!